sábado, 28 de fevereiro de 2009

Projeto Angola 2009 - por Juliana Pimenta

Desde que soube da possiblidade de um projeto em Angola, em janeiro de 2007, fiquei muito empolgada. Sabe quando o coração bate forte por alguma coisa? O tempo passou e em 2008 o projeto começou a tomar forma, mas uma forma não muito conhecida.
Durante o tempo de preparação eu pensei em desistir muitas vezes. O sustento alto não me incomodava no início, mas depois virou pensamento permanente. A dificuldade de diálogo, a passagem que não aparecia, o visto que não saia. Sim, pensei muitas vezes em desistir, mas ainda bem que Deus é misericordioso.
Além de querer desistir eu pensava que o projeto não iria acontecer. Tenho vergonha disso, mas pensei muitas vezes. Ficava até sem graça de falar com algumas pessoas, porque no meu coração eu achava que aquilo não ia vingar. Tolinha! Só no início do ano eu tive convicção de que iria. Leia o meu post anterior para ver como. Ele não tem muito sentido, mas talvez agora tenha.
Bom, estava eu convicta, com a passagem comprada e ainda sem visto. Eu e todas as outras 13 pessoas da equipe. Paciência foi realmente algo que aprendi nesse projeto... O visto saiu dois dias antes da viagem enquanto estávamos reunidos na casa do Eric fazendo um treinamento transcultural. Foi um dos momentos mais legais. Custou $50,00 e uma boa dose da paciência do Pierre, mas valeu a pena.


Além de toda a equipe do projeto que com certeza são amigos que eu vou levar por toda a vida, lá em Petrangol eu conheci a Mama Elisa. Uma senhora serva, humilde, que me ensinou muito, mesmo que na maioria das vezes eu não tenha entendido o que ela queria dizer. Ela só precisava estar lá para deixar todo mundo mais feliz.
A nossa agenda lá foi bem atípica e eu não pretendo detalhar aqui, mas poderia resumir dizendo que na primeira semana fomos preparados, na segunda treinamos, na terceira fomos ao campus e na quarta desfrutamos dos resultados e de um pseudo descanso.Eu queria enfatizar a primeira semana.
Quando chegamos lá tinhamos uma idéia do que gostaríamos de fazer, mas tudo parecia ser muito complicado. Não ter viautura para nos levar para um encontro com estudantes ou para levar a comida até a gente (não tinha cozinha onde ficamos hospedados). A falta da infra-estrutura que chamamos básica e que lá é luxo. A frustração de perceber que mesmo falando português parecia ser outra língua.
E então numa quinta-feira tudo isso explodiu e a gente decidiu parar tudo para orar. Confesso que não achei uma boa idéia. Parecia melhor ocupar o tempo com outra coisa. Mas enquanto oravamos, Deus quebrantou meu coração e o de toda a quipe. Tantas coisas ficaram claras e a maior de todas: Deus é quem tem o controle de tudo!
Depois desse dia os problemas não foram embora. Continuamos com o banho de balde, com a viatura apertada e sem janela, sem hora certa pra comer e muito mais. O que mudou foi o nosso coração diante de tudo isso. Naquele dia Deus colocou em nós a compaixão dele por aquele povo e o entendimento de que Ele é soberano e isso nunca muda. Naquele dia Deus deu um mesmo coração para a equipe.
Com certeza isso foi o que mais me marcou durante o projeto e foi muito especial para mim. Os treinamentos. Conhecer os estudantes angolanos. Ver o compromisso deles. Evangelizar nas ruas e na Universidade Agostinho Neto. Tudo isso foi incrível. Mas eu hoje tenho convicção de que a direção do projeto mudou naquela tarde de quinta-feira. Ali tudo começou de fato...
“Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos so santos.” Efésios 6:18

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